Literatura e Psicanálise

Psicanálise na Literatura:

o boom freudiano em pesquisas científicas

         Acordando com Maria Aparecida de Paiva Montenegro, professora do departamento de Filosofia da UFCE e autora do livro Pulsão de Morte e Racionalidade no Pensamento Freudiano, na alvorada do novo século, os avanços tecnológicos, particularmente da Neurociência, reduziram as explicações do comportamento humano à descrições bioquímicas.

         Num tempo em que os antidepressivos, antipsicóticos, ansialíticos, psicotrópicos e terapias de auto-ajuda tentam – e com algum sucesso – substituir o entendimento do ser humano proposto pela Psicanálise, o pensamento de Freud é cada vez mais afastado dos departamentos de Medicina. A boa notícia – para nós – é que o pai da psicanálise torna-se cada vez mais popular no círculo filosófico e literário.

         Assim como antes de Copérnico acreditava-se que o sol (e todo o universo) orbitava ao redor da Terra, antes de Freud, o homem acreditava que todas as suas ações e pensamentos eram frutos de sua vontade consciente. Freud veio nos mostrar – para espanto de muitos na época – que a mente humana possui invólucros obscuros como um pântano e que estes podem até mesmo controlar nossas vidas, com a presteza que um ventríloquo comanda sua marionete, sem que percebamos. Munido da tocha das associações livres, interpretações dos sonhos e análise do discurso, Sigmund Freud ilumina nossas mais secretas obscuridades. Desde já, há um alerta: o que podemos encontrar pode não ser tão agradável. Daí a aversão de alguns para com o intrigante doutor. Como aceitar uma paixão recalcada pela própria mãe? Ou uma forte atração pelo pai e competição de carinho e poder com a mãe concomitantemente? Os complexos de Édipo e de Electra chocaram a sociedade e transmitiram apenas a pequena ponta do iceberg que Freud pretendia revelar.

         O interessante na análise psicanalítica de obras da literatura é que não só se faz necessário – e sine qua non – o embasamento acerca da teoria do romance como também das teorias freudianas, lacanianas ou quaisquer que sejam as fontes teóricas que o aluno almeje seguir. À luz de tal idéia, vem a importante advertência da Dra. Avanilda Torres: “não será a teoria de psicanálise que dirá o que você irá buscar no texto, e sim o próprio texto“. De fato, é o romance proposto que mostrará o que de interessante tem a ser descortinado: não se estuda esquizofrenia e logo em seguida lê-se São Bernardo de Graciliano Ramos para encontrá-la no personagem protagonista Paulo Honório, do mesmo jeito que não se estuda as fases psicossexuais freudianas para imediatamente buscá-las nos contos de fadas de Perrault, Andersen ou dos irmãos Grimm.

         Ainda hoje as teorias freudianas causam rubores e espasmos, mas tal reação possui explicação quase óbvia: a sociedade desmoronaria se a sexualidade tivesse liberdade e expressão.

 

 

 

Bibliografia recomendada: GARCIA-ROZA, L.A. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984.

 

Hugo Rafael

8º Período – Letras

 

Uma resposta to “Literatura e Psicanálise”

  1. Caroline Says:

    Olá Hugo,
    Estou estudando Letras, estou no 6º periodo e o meu projeto de pesquisa é sobre uma analise psicanalitica de personagens femininos. Por favor indique-me algumas leituras.
    Obrigada!

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