Posts de Agosto, 2008

Literatura e Psicanálise

Agosto 29, 2008

Psicanálise na Literatura:

o boom freudiano em pesquisas científicas

         Acordando com Maria Aparecida de Paiva Montenegro, professora do departamento de Filosofia da UFCE e autora do livro Pulsão de Morte e Racionalidade no Pensamento Freudiano, na alvorada do novo século, os avanços tecnológicos, particularmente da Neurociência, reduziram as explicações do comportamento humano à descrições bioquímicas.

         Num tempo em que os antidepressivos, antipsicóticos, ansialíticos, psicotrópicos e terapias de auto-ajuda tentam – e com algum sucesso – substituir o entendimento do ser humano proposto pela Psicanálise, o pensamento de Freud é cada vez mais afastado dos departamentos de Medicina. A boa notícia – para nós – é que o pai da psicanálise torna-se cada vez mais popular no círculo filosófico e literário.

         Assim como antes de Copérnico acreditava-se que o sol (e todo o universo) orbitava ao redor da Terra, antes de Freud, o homem acreditava que todas as suas ações e pensamentos eram frutos de sua vontade consciente. Freud veio nos mostrar – para espanto de muitos na época – que a mente humana possui invólucros obscuros como um pântano e que estes podem até mesmo controlar nossas vidas, com a presteza que um ventríloquo comanda sua marionete, sem que percebamos. Munido da tocha das associações livres, interpretações dos sonhos e análise do discurso, Sigmund Freud ilumina nossas mais secretas obscuridades. Desde já, há um alerta: o que podemos encontrar pode não ser tão agradável. Daí a aversão de alguns para com o intrigante doutor. Como aceitar uma paixão recalcada pela própria mãe? Ou uma forte atração pelo pai e competição de carinho e poder com a mãe concomitantemente? Os complexos de Édipo e de Electra chocaram a sociedade e transmitiram apenas a pequena ponta do iceberg que Freud pretendia revelar.

         O interessante na análise psicanalítica de obras da literatura é que não só se faz necessário – e sine qua non – o embasamento acerca da teoria do romance como também das teorias freudianas, lacanianas ou quaisquer que sejam as fontes teóricas que o aluno almeje seguir. À luz de tal idéia, vem a importante advertência da Dra. Avanilda Torres: “não será a teoria de psicanálise que dirá o que você irá buscar no texto, e sim o próprio texto“. De fato, é o romance proposto que mostrará o que de interessante tem a ser descortinado: não se estuda esquizofrenia e logo em seguida lê-se São Bernardo de Graciliano Ramos para encontrá-la no personagem protagonista Paulo Honório, do mesmo jeito que não se estuda as fases psicossexuais freudianas para imediatamente buscá-las nos contos de fadas de Perrault, Andersen ou dos irmãos Grimm.

         Ainda hoje as teorias freudianas causam rubores e espasmos, mas tal reação possui explicação quase óbvia: a sociedade desmoronaria se a sexualidade tivesse liberdade e expressão.

 

 

 

Bibliografia recomendada: GARCIA-ROZA, L.A. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1984.

 

Hugo Rafael

8º Período – Letras

 

Plano Nacional de Educação – PNE

Agosto 14, 2008

Fichamento (espécie de) do PNE
Assinado em 2000
Deverá ser atualizado decenalmente (de dez em dez anos)
Conta com os níveis de ensino e seus diagnósticos, diretrizes, objetivos e metas. Sempre: diagnóstico, diretrizes, objetivos e metas.

Níveis de ensino x Modalidades de ensino

Níveis de ensino:
Educação Básica;
Ensino Superior.

Modalidades de ensino:
EJA;
Educação à distância;
Educação Profissional;
Educação Especial;
Educação Indígena.

* OBJETIVOS do PNE
- elevação global do nível de escolaridade da população
- melhoria do nível de ensino da população
- redução das desvastanges sociais e regionais no tocante ao acesso e permanência no ensino público
- democratização da gestão

* PRIORIDADES do PNE
1. Garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, asssegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino.
(Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas)
2. Garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
(Erradicação do analfabetismo)
3. Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino – a educação infantil, o ensino médio e a educação superior.
(Extensão da obrigatoriedade e garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica).
4. Valorização dos profissionais da educação.
5. Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino
(Ensino-aprendizagem)

O Plano Nacional de Educação DEFINE:
- as diretrizes para GESTÃO e o FINANCIAMENTO da educação
- as diretrizes e metas de CADA NÍVEL e MODALIDADE DE ENSINO
- as diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação, nos próximos dez anos

DA EDUCAÇÃO INFANTIL – DIRETRIZES

A criança não está obrigada a frequentas uma instituição de educação infantil, mas sempre que sua família deseje ou necessite, o Poder Público tem o dever de atendê-la.

Objetivos e Metas
1. Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender,
em cinco anos, a 30% da população de até 3 anos idade e
60% da população de 4 e 6 anos (ou 4 e 5 anos)
e, até o final da década, alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos
e 80% das de 4 e 5 anos

Diretrizes para o ENSINO MÉDIO
Preparando joves e adultos para os desafios da modernidade, o ensino médio deverá permitir aquisição de competências relacionadas ao pleno exercícios da cidadania e da inserção produtiva: auto-aprendizagem; percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir; compreensão dos processos produtivos; capacidade de observar, intepretar e tomar decisões; domínio de aptidões básicas de linguagens, comunicação, abstração; habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade, cooperação e respeito às individualidades.

(PERGUNTA: As porcentagens da grana que tem que ser reservada ao ensino médio, fundamental e à educação básica precisam ser decoradas?)

DO ENSINO SUPERIOR
Diagnóstico:
Apesar de o 1,5 de jovens egressos do ensino médio terem à sua disposição várias vagas
O Brasil apresenta um dos índices mais baixos de acesso à educação superior, mesmo quando se leva em consideração o setor privado. Assim, a porcentagem de matriculados na educação superior brasileira em relação à população de 18 a 24 anos é de menos de 12%, comparando-se desfavoravelmente com os índices de outros países do continente.
Os recursos destinados pelos Estados à educação superior devem ser adicionais aos 25% da receita de impostos vinculada à manutenção e desenvolvimento da educação básica.
À União atribui-se historicamente o papel de atuar na educação superior, função prevista na Carta Magna.
Muito tem sido gasto, da grana do ensino superior, com pensionistas e aposentados, o PNE sugere essa mudança. Porque essas despesas só aumentam e as despesas com investimentos estão declinando.
DIRETRIZES:
No mundo contemporâneo, as rápidas transformações destinam às universidades o desafio de reunir em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, os requisitos de RELEVÂNCIA, incluindo a superação das desigualdades sociais e regionais, QUALIDADE e COOPERAÇÃO INTERNACIONAL.
A diretriz básica para o bom desempenho desse segmento é a autonomia universitária, exercida nas dimensões previstas na Carta Maga: didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial.
Objetivos e Metras:
2. Ampliar a oferta de ensino público de modo a assegurar uma proporção nunca inferior a 40% do total das vagas, prevendo inclusive a pareceria da União com os Estados na criação de novos estabelecimentos de educação superior.
5. Assegurar efetiva autonimia didática, científica, administrativa e de festão financeira para as universidades públicas.
15. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa das universidades, dobrando, em dez anos, o número de pesquisadores qualificados.
16. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em, pelo menos, 5%.
18. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemtno integrante e modernizador dos processos de ensino-aprendizagem em toda a educação superior, inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa.
19. Criar políticas que facilitem às minorias, vítimas de discriminação, o acesso à educação superior, através de programas de compensação de deficiências de sua formação escolar anterior, permitindo-lhes, desta forma, competir em igualdade de condições nos processos de seleção e admissão a esse nível de ensino.
Financiamento e Gestão da Educação Superior
28. Estimular, com recursos públicos federais e estaduais, as instituições de educação superior a constituírem programas especiais de titulação e capacitação de docentes, desenvolvento e consolidando a pós-graduação no País.
29. Ampliar o financiamento público à pesquisa científica e tecnológica, através das agências federais e fundações estaduais de amparo à pesquisa e da colaboração com as empresas públicas e privadas, de forma a TRIPLICAR, em dez anos, os recursos atualmente destinados a esta finalidade.
Fala-se muito em desenvolvimento de pós-graduação e pesquisa.
32. Estimular a inclusão de representantes da sociedade civil organizada nos Conselhos Universitários.
33. Estimular as IES a identificar, na educação básica, estudantes com altas habilidades intelectuais, nos estratos de renda mais baixa, com vistas a oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos.

Modalidades de Ensino:
Educação de jovens e adultos.
Objetivos e metas
1. Estabelecer, a partir da aprovação do PNE, programas visando a alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos, em cinco anios e, até o final da década, erradicar o analfabetismo.
15. Sempre que possível, associar ao ensino fundamental para jovens e adultos a oferta de cursos de nível médio para jovens e adultos.
26. Incluir, a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação, a Educação de Jovens e Adultos nas forma de financiamento da Educação Básica.

6. Educação à Distância e Tecnologias Educacionais
Diagnóstico
À União cabe o credenciamento das instituições autorizadas a oferecer cursos de educação a distância, assim como o estabelecimento dos requisitos para a realização de exames e o registro de diplomas; são de responsabilidade dos sistemas de ensino as normas para produçaõ, controle e avaliação dos programas, assim como a autorização para sua implementação.
A TV Escola e o fornecimento, ao estabelecimentos escolares, do equipamento tecnológico necessário constituem importantes iniciativas.
O Ministério da Educação, a União e os Estados são parceiros necessários para o desenvolvimento da informática nas escolas de ensino fundamental e médio.
Diretrizes
14. Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância.
16. Capacitar, em cinco anos, pelo menos 500.000 professores para a utilização plena da TV Escola e de outras redes de programação educacional.
18. Instalar, em cinco anos, 500.000 computadores em 30.000 escolas públicas de ensino fundamental e médio, promovendo condições de acesso à internet.

Educação Tecnológica e Formação Profissional
Diagnóstico
Diretrizes
Prevê-se que a educação profissional, sob o ponto de vista operacional, seja estrutura
nos níveis básico – indendpente do nível de escolarização do aluno,
técnico – complementar ao ensino médio e
tecnológico – superior de graduação ou pós-graduação.
Objetivos e metas

O Príncipe

Agosto 12, 2008

Aprendizados políticos, sociais e emocionais com ajuda inestimável de

 

Nicolau Maquiavel

 

em

O Príncipe.

por Hugo Rafael

 

 

            Primeiramente, vejo necessário saber-se um pouco – não muito para que não se torne cansativo esse resumo – da vida de Niccolò Machiavelli, nascido na Itália e tendo escrito tal obra citada para “bajular” Lourenço de Médicis. Através do primeiro capítulo, destrinçamos tal informação.

            Nos primeiros capítulos que se seguem, Maquiavel vem elucidar – como se preciso fosse – as formas de principados e os tipos de príncipe. Basicamente dois tipos de príncipes podem dominar um principado: os novos e os hereditários. Sendo os hereditários dotados de maiores “facilidades” e residindo sob os novos as verdadeiras dificuldades que lhe serão próprias, isso explica-se porque é mais fácil para o povo aceitar uma continuidade a aceitar mudanças. E talvez exista controvérsia nisso.*

 

            Apesar de o contexto político da época ser diferente, as atribuições próprias do mesmo podem, facilmente, ser associadas ao contexto político geral. Devendo-se, então, considerar contexto político geral como também o atual pós-moderno em que nos encontramos. Ainda no segundo capítulo de sua obra, Maquiavel elucida as mudanças que um novo principado exige. E dentre todos os seus ditos acerca de tal elucidação, um deles me chamou atenção:

 

A ordem natural das coisas é que, ao entrar um estrangeiro potente em uma província, todos os que forem menos potentes do que ele tornam-se aliados devido à INVEJA que sempre tiveram daquele que lhes era senhor.

 

            Penso que tal citação seja importante porque me fez lembrar, instantaneamente, de como é difícil a mudança de um governo regido por um partido político esquerdista para um novo de direita. Mudanças ocorrerão e a cidade ou município governado vivera momentos – iniciais –  de verdadeiro caos, um caos em que os novos se beneficiaram e os antigos, quase sempre, sofrerão.

 

________

* A leitura realizada desta e de qualquer outra obra de semelhante ou igual importância precisará sempre de metaforização, caso o leitor não queira apenas uma leitura de caráter historiográfico e sim de utilização prática atrelada ao seu contexto. Procurar também possíveis falhas no texto e a questão a que ele se propõe responder é uma excelente técnica oferecida pela Dra Tany Mara Monfredini.

            Prosseguindo com a leitura e ressaltando as passagens de maior possibilidade de metaforização, chego ao capítulo sobre a palavra dada. O autor diz que é seria ideal

 

Machiavelli e Deus

 

            Embora isso possa surpreender muita gente, a todo tempo o autor confessa o respeito pela religiosidade e até a defende em vários aspectos. É possível perceber pela trajetória de seu discurso que ele possui respeito por Deus e estima as virtudes religiosas.

 

 

Vocabulário Adquirido com a leitura:

ADUZIR: provar (através de argumentos, provas)

ALEGORIA: “a criação de uma coisa na tentativa de explicar outra”

PUSILÂNIME: diz-se daquele de ânimo fraco, covarde

CIRCUNLÓQUIOS: ‘arrudeios’ em conversas

RAPACE: diz-se daquele que rouba.

INÉPCIA: inaptidão